Fundações – Parte 02

Fundações Superficiais ( rasas ou diretas ) – parte 01

Dando sequencia ao assunto de fundações, nesse post serão abordados a primeira parte sobre Fundações Superficiais.

Na NBR 6122 as fundações superficiais são definidas como elementos de fundação em que a carga é transmitida para o terreno, principalmente, pelas pressões distribuídas sob a base da fundação. Além disso, esse elemento possui profundidade de assentamento em relação ao terreno inferior a duas vezes a menor dimensão da fundação e essa menor dimensão não pode ser inferior a 60 cm. A NBR 6122 define ainda que quando a fundação rasa for realizada próxima a divisa com terrenos vizinhos, a profundidade do elemento não pode ser menor do que 1,5 m, salvo quando for assente sobre rocha.

Geralmente, esse tipo de fundação é realizada com pequenas escavações e por isso não precisam de grandes equipamentos para a sua execução.

As fundações rasas se dividem em sapatas, sapatas corridas, sapatas associadas, vigas de fundação ou baldrame, blocos e radier. A imagem a seguir exemplifica um breve detalhamento de ada tipo.

Fundações Rasas
Fundações Rasas

Sapatas de fundação

Sapata é um elemento de fundação rasa ou superficial de concreto armado que geralmente tem a sua base em planta quadrada, retangular ou trapezoidal. As sapatas de fundação são dimensionadas para que as tensões de tração que atuam sobre a fundação sejam resistidas pela armadura e não pelo concreto.

A sapata é um tipo de fundação rasa com capacidade de carga baixa a média. Sua utilização é indicada caso as sondagens de reconhecimento do subsolo indiquem a presença de argila rija, dentre outros.

Tipos de sapatas
As sapatas podem ser divididas em: sapata isolada, sapata corrida, sapata associada e sapata alavancada.

Sapata isolada
Sapata isolada é um dos tipos de fundação superficiais mais simples e comuns na construção civil. Ela é dimensionada para suportar a carga de apenas um pilar ou coluna. Podem ser de formato quadrado, retangular, circular, etc.

Sapata Isolada

Sapata corrida
A sapata corrida é utilizada para suportar cargas oriundas de elementos contínuos que possuem cargas distribuídas linearmente como muros, paredes e outro elementos alongados. Por ser uma fundação rasa sua escavação geralmente é feita à mão sem a necessidade do uso de máquinas ou equipamentos especias. Normalmente é executada com concreto ciclópico (concreto e pedras de mão).

Sapata Corrida

Sapata associada
A sapata associada ou radier parcial é uma sapata comum a vários pilares. São normalmente empregadas quando a posição de duas sapatas isoladas ficarem muito próximas por falta de espaço ou opção estrutural.

Neste caso, as bases das sapatas poderiam ficar sobrepostas ou influenciar na outra estruturalmente fazendo com que o uso de uma única sapata associada pudesse receber as cargas de dois ou mais pilares próximos

Sapata Associada
Sapata Associada

Sapata alavancada
A sapata alavancada ou com viga de equilíbrio é utilizada quando a base da sapata não coincide com o centro de gravidade do pilar por estar próximo a alguma divisa ou outro obstáculo. Deste modo, é criado uma viga entre duas sapatas de maneira a suportar o momento fletor gerado pela excentricidade.

Sapata Alavancada
Sapata Alavancada

Método de execução
As sapatas são de simples execução, o que não muda o fato de tomar bastante cuidado na sua construção. A sapata de cota mais baixa deve ser executada primeiro e de acordo com a NBR 6122, nenhuma sapata deve ter dimensão menor do que 60 cm.

Para a execução de uma sapata, são realizados os seguintes passos:

  • Escavação do terreno onde será feita a sapata, de acordo com o projeto de fundações, seguindo as dimensões e cotas indicadas
  • Aplicar uma camada de concreto magro no fundo do terreno escavado e nas suas laterais. Essa camada de regularização no fundo deve ter no mínimo 5 cm e sua função é proteger a armadura da sapata contra a umidade do solo. Nas laterais, uma camada de chapisco já basta.
  • Em seguida, coloca-se as fôrmas de acordo com o projeto de locação de obra. Deve-se conferir as marcações dos pilares e checar o nível da sapata. Coloca-se então espaçadores na superfície de apoio onde foi aplicado o concreto magro, para evitar que o cobrimento do aço não seja atendido.
  • Coloca-se a armadura, de acordo com o projeto de fundações.
  • Posicionamento da armadura do pilar que sairá da sapata isolada. Deve-se fixar os arranques dos pilares com arames de aço.
  • Realiza-se a concretagem da sapata.
  • Depois de curado o concreto, realiza-se a desfôrma da sapata e o devido reaterro da cava da sapata.

Vantagens das sapatas
As vantagens das sapatas em uma fundação são o seu baixo custo, rapidez de execução e a capacidade de construção sem equipamentos e ferramentas especias. Uma fundação em sapatas bem dimensionada pode ser executada com pouca escavação e baixo consumo de concreto.

É claro que as especificações da sapata são influenciadas de acordo com o tipo de estrutura a ser utilizada e o tipo de solo do local. As sapatas são indicadas para regiões onde e solo é estável e com boa resistência nas camadas superficiais e suportam grande capacidade de cargas comparadas a outros tipos de fundação rasa ou direto como blocos não armados, radier e viga baldrame.

Em breve serão apresentados novos posts dando sequencia ao assunto sobre fundações rasas, ainda serão abordados fundações profundas.

Agradecimento ao Site Escola Engenharia de onde parte do texto fora baseada.: PEREIRA, Caio. Sapatas de fundação. Escola Engenharia, 2016. Disponível em: https://www.escolaengenharia.com.br/sapatas-de-fundacao/. Acesso em: 01 de março de 2020.

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